Vincent Van Gogh

Acabo de ler este ótimo livro, escrito por ninguém mais, ninguém menos que o próprio Vincent Van Gogh… É um livro realmente sublime, que junto a Sede de Vida (A trágica vida de Van Gogh–Lust for Life) é sem dúvida literatura indispensável para quem gosta da arte deste gênio da pintura. O homem que liberou todas as cores. Antes dele muitos pintores seguiam a risca o que viam, colorindo seus quadros em tons pastéis, e pintando quase sempre a nobreza. Seguiam os ensinamentos acadêmicos e esqueciam que arte é sentimento e não regras. Vincent em busca de pintar como os grandes pintores que admirava como Rembrant, Millet e Delacroix acabou mudando o mundo da pintura no final do século XIX. Liberava cores vivas em grossas camadas de tinta em muitas e muitas telas, esbanjando criatividade ele retratou o cotidiano, as pessoas humildes e buscando a perfeição em sua arte acabou por perder sua sanidade. Um homem obstinado, culto e pesquisador das cores e da arte. Lendo o “Cartas à Théo” percebemos toda a genialidade deste pintor holandês, e também todas as suas dúvidas, e a tristeza de uma vida miserável, onde ele gastou muito mais com a pintura do que consigo mesmo. Ao terminar de ler, tive a sensação de que meu melhor amigo faleceu, ele, que tinha tantas idéias parecidas com as minhas, que só queria viver de sua pintura, e que não agüentou os inúmeros fracassos que a sociedade da época lhe impunhou. Desde sua missão como Pastor no Borinage, ao hospício de Saint-Rémy tudo o que ele queria, era apenas ser útil…
Impressionante sua luta contra a “loucura” que lhe ataca através de crises violentas. Van Gogh não quer que as crises voltem, decide resistir a elas, mas mesmo assim elas não o abandonam. Em uma das cartas endereçadas a seu irmão, ele comenta que convivendo com os loucos, descobriu que a loucura não é algo tão horrível quanto ele imaginava, e que tem esperanças de voltar ao seu estado normal para trabalhar logo novamente.
Em 27 de julho 1890, tomado pela angústia de mais uma crise que ele sente aproximar-se, dispara uma bala no coração. Estava nos trigais, atirando nos corvos, quando decide dar fim a própria vida. Mas o tiro se desvia: a bala se aloja na virilha. Ele encontra forças para voltar para casa e não avisa ninguém. Não o vendo descer para o almoço, o pessoal da pensão onde estava hospedado sob a vista do Dr. Gachet vai procurá-lo em seu quarto. Ele está prostrado, sangrando. O Dr. Gachet chega imediatamente e constata que é impossível tirar a bala. Vincent recusa-se a dar o endereço de Théo, que somente é avisado no dia seguinte. Imediatamente Théo vai para Auvers-sur-Oise e encontra o irmão fumando cachimbo aparentemente tranqüilo. Théo não se conforma com a possibilidade da morte do irmão, já muito fraco. Mas não há mais o que fazer, Vincent está determinado a morrer. Conversa o dia inteiro em holandês com Théo, que à noite deita-se ao lado dele. A uma e meia da manhã, Vincent murmura: “Quero ir embora”, e nos deixa…

4 Comentários em “Vincent Van Gogh”

  1. Dry disse no dia 26 de janeiro, 2009 às 7:36

    Li a história dele no começo do livro, mas não cheguei a começar as cartas ainda, achei muito interessante apesar de triste. Achei linda a força que Théo deu à ele quando o motivou a viver da pintura que era seu verdadeiro dom.
    Vou ler td o livro…

  2. M disse no dia 4 de fevereiro, 2009 às 1:02

    Muito válida esta postagem!

    só discordo que ele tenha perdido a sanidade, acho apenas que encontrou a si mesmo e como muitos de nós, não compreendeu.

  3. TATY disse no dia 17 de fevereiro, 2009 às 18:51

    bom eu adoro a historia do vangoghe e sempre procuro descobrir mas historias e su per legal tem quase todos os qudros dele

  4. Aragao disse no dia 24 de fevereiro, 2009 às 19:58

    Já viu aquela expressão: a primeira impressão é a que fica? No caso de Van Gogh isso não se aplica… colecionou fracassos e é considerado um dos maiores - senão o maior revolucinário na pintura. Pós-impressionista, pois a primeira impressão não permaceu historicamente após a sua morte. Revolucionou o impressionismo ao dar atenção a cor e a pluridimensionalidade… Neste sentido, Paul Gauguin também revoluciona em seus quadros como Cristo Amarelo; De onde viemos? Quem somos? Para onde vamos?; O Filho de Deus nascido… e acredite…. uma homenagem ao Vicent van Goch… no quadro: Vincent van Gogh pinta girassóis de 1888… A primeira impressão não é aquela que fica! Chega de hipóteses primeiras, pois todas são mentirosas… É uma Odisseia para além da realidade…

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