Devaneios sobre arte e música

Olá amigos, esta época de fim de ano nos leva a refletirmos e avaliarmos nossas vidas de uma maneira diferente. Isso não é uma regra geral mas de certa forma isso acontece com muita gente, inclusive comigo. Dei um tempinho no trabalho, ouvi outros músicos, li alguns livros e pensei sobre a música e, sobre a música como manifestação artística. Falarei aqui dando exemplos musicais e espero que os fãs xiitas dos citados saibam, que mesmo achando algo muito bom ou muito ruim neles, esta é apenas uma opinião. Sei que não adianta de nada avisar isso para algumas pessoas mais ok. Vamos aos fatos.
Segundo a wikipédia música (vem do grego - musiké téchne, a arte das musas) constitui-se basicamente de uma sucessão de sons e silêncio organizada ao longo do tempo. É considerada por diversos autores como uma prática cultural e humana. Atualmente não se conhece nenhuma civilização ou agrupamento que não possua manifestações musicais próprias. Embora nem sempre seja feita com esse objetivo, a música pode ser considerada como uma forma de arte, considerada por muitos como sua principal função. E eis que surge já nas primeiras palavras algo que há muito tempo me amargura. A música pra mim é principalmente uma forma de arte. E não vejo ela sendo respeitada desta maneira num âmbito geral. Vejam que me prenderei aqui apenas ao Brasil, pois sempre primo pela nossa música e pelo nosso país. Vemos coisas absurdas sendo feitas por “artistas” anunciadas aos 4 ventos como revelação pela mídia que não passam de repetições de antigas repetições (talvez até mais redundante) pouco ou nada artísticas, e que aliás nada trazem a ninguém (exceto gravadoras empresários e afins) a não ser o mesmo sentimento sem sentido, como que numa lavagem cerebral em um hospício. Para mim não é o artista que será usado em favor da voz ou do instrumento, pelo contrário, a voz e o instrumento estão a serviço do espírito do artista, ou de seu espírito artístico. Não admito como música a simples junção de acordes e uma linha melódica. Veja bem que certa vez me falaram sobre alguma música de uma banda, e perguntaram o que eu achava dela. Como sou um cara bem sincero disse que achava uma música ruim. “Mas ela é uma música tão bonita” foi a resposta que eu ouvi. Sim, era realmente bonita, porém as estátuas em sua grande maioria são bonitas também, mas só os humanos tem alma, e era justamente isso que falta na maioria das músicas atuais onde, infelizmente o que importa é a venda. Prefiro milhões de vezes fazer algo invendável, do que fazer algo sem alma. A perfeição anatômica das estátuas não lhe confere vida. Assim como a música mesmo sendo super afinada, cantada com toda a técnica e executada com muita perfeição pode não ter alma, nem ter expressão. Existe no geral uma falta de vivacidade. Vejo isso com freqüência no Raul Gil, por lá passam pessoas que tem plenos poderes sobre a técnica e sobre afinação, mas que infelizmente não tem identidade. Isso realmente me preocupa, temos muitas músicas hoje 100% sem identidade, como freiras, onde só podemos ver o hábito (o rótulo). E o pior é que as vezes a chatíssima afinação exatérrima é fruto de softwares de correção de pitch. Mais artificial que corante C2! Acredite se quiser, mas hoje em dia muito pouco do que se ouve é som real, natural, e realmente tocado ou cantado daquela forma que estamos ouvindo. Mentiras da arte? Voltando a alma da canção, quem possui alma? Os seres humanos não é? Nem todos os seres humanos tem anatomia perfeita, mas cada um é o que é, reconhecido, com identidade própria, com seus defeitos, com suas belezas, com sua alma. Esta nova onda de músicas digitalmente afinadas me envergonha muito. Uma vez que a afinação deve ser encarada com seriedade, porém ela não é nada se não houver expressão. Se não houver vivacidade nada vale o arranjo, a melodia, a letra ou a afinação. Como pode alguém cantar uma música de revolta com trejeitos sertanejos? Como podem achar que algo assim realmente é música. Não lembro muito bem da música, mas é uma dupla onde um representa o marido e outro o ex-marido, ficam se tirando assim como fossem brigar, mas com aquela expressão que usam para as músicas apaixonadas. Isso me lembra Cidadão Quem, Roberto Carlos e malhação, onde tristes, alegres, felizes, endiabrados, doidos, indignados e esfomeados tem a mesma expressão! Ou a mesma falta de expressão. Sei que os acadêmicos irão rir de mim, e os fãs irão me trucidar, mas sinceramente é bom não ter estudado nada de música e conseguir fazer algo verdadeiro, como a vida! Alguém que faz música apenas para venda, o faz apenas para rir dos compradores. Estou gravando meu CD, que será imperfeito, desafinado e talvez nem um pouco radiofônico. Mas não terá esta exatidão chata e mentirosa da música anêmica que temos hoje em dia.
Paz

Um comentário em “Devaneios sobre arte e música”

  1. Aragao disse no dia 24 de fevereiro, 2009 às 20:23

    Basta falarmos de um objeto para nos acreditarmos objetivos. Mas, por nossa primeira escolha o objeto designa mais do que o designamos, e o que julgamos nossos pensamentos fundamentais são amiúdes confidencias sobre a juventude de nosso espirito. Às vezes nos maravilhamos diante de um objeto eleito; acumulamos as hipóteses e os devaneios; formamos assim convicções que têm a aparência de um saber. A fonte inicial é impura: a evidência primeira não é uma verdade fundamental (BACHELARD, Gaston. A psicanálise do fogo, p. 01).

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